20 de agosto de 2010

Espinho na carne

O que será que atormentava Paulo?
Não há como começar a fazer o estudo bíblico e chegar às cartas de São Paulo sem se apaixonar por elas e, especialmente, pelo seu autor.

Um dos trechos mais enigmáticos, que levou estudiosos a inferir o que a Apóstolo dos Gentios (eu prefiro chamá-lo de 13º Apóstolo) quis dizer, é aquele no qual São Paulo fala do "espinho na carne":

"Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade" (II Cor 12, 7).

Há várias teorias sobre o espinho, no que ele consistiria. Gosto de pensar que ele seria o mesmo que é para mim e para você: uma questão séria e recorrente. No meu caso, a minha enxaqueca, que me ataca toda santa semana.

Outro espinho pode ser a persistente falta de ideia, quando você é escritor e tem aquela tela em branco luzindo na sua frente e você, sem saber o que dizer nem como dizer, sem vontade de escrever.

Um espinho "dos bons" é quando você tem que lidar com uma doença séria de um parente querido, que dependa de você. Por exemplo: um filho com um problema incurável. Um pai com um distúrbio incurável, que incomoda você, que solicita a sua atenção 24 horas por dia.

Paulo cita uma das funções do espinho: "livrar do perigo da vaidade". Eu friso outra: nos afastar da soberba.

Quando o apóstolo diz no versículo 10 da 2ª Epístola aos Coríntios: "Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte", ele quer dizer: na fraqueza, na hora do espinho incomodar e doer, aí eu me lembro de que não sou autossuficiente e, gemendo de dor, de cansaço, dirijo-me ao Rei dos Reis, o Senhor de Todas as Graças e humildemente peço o Seu auxílio.

No versículo anterior, Paulo conclui: "Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo".

Acontece sempre comigo: se não fosse a luz do Espírito Santo, eu não teria escrito a minha primeira monografia. E se não é a Graça de Deus, eu não conseguiria enfrentar minhas enxaquecas semanais. E se não é a Graça de Cristo, eu não toleraria os defeitos das pessoas com quem tenho que conviver.

Eu bato no peito e digo: "Sou filha de Deus"; mas também abaixo a cabeça e afirmo: "Não sou nada sem Ele".

Há quem diga que "Católico gosta de sofrer" ou "Católico adora Jesus crucificado, na cruz" ou "Católico é triste, valoriza o sofrimento".

Uma vez, uma amigona da minha mãe, gente finíssima, de quem gosto, fez um comentário infeliz: "Católico adora ter crucifixo em casa... Não sei o porquê: Jesus já saiu da cruz há muito tempo...". Ela se referia à ressurreição.

Concordo com ela: de fato, Ele vive e está no Meio de nós, Dentro de nós. Mas a cruz é importantíssima, porque nos lembra que a Dor, a Morte, as Lágrimas, as Misérias fazem parte desta vida e que, a exemplo Dele, devemos passar por elas com Humildade, Fé e Esperança.

É por isso que oro:

Obrigada, Senhor, pela minha enxaqueca. Por tudo o que eu considero ruim, que eu não entendo e que acontece comigo. Obrigada por cada dor, por cada incompreensão. Muito Obrigada.

~Ana Paula~A Católica
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