1 de agosto de 2010

A canção de "Irmão Sol, Irmã Lua"

Imagem: Internet


Ao lado, você vê um dos pôsteres promocionais do excelente filme Irmão Sol, Irmã Lua, do ótimo diretor italiano Franco Zeffirelli.

A foto retrata a histórica cena em que o Pobrezinho de Assis deixava o centro da cidade, nu, depois de depositar diante dos pés do pai, o bem-sucedido comerciante de tecidos Pedro Bernardone, todos os seus bens - a herança a que teria direito e até a própria roupa.

É um filme maravilhoso, que retrata um Francisco meigo, que enfrentou todas as autoridades e as intempéries com duas únicas armas: a fé e a doçura.

Se ele foi realmente tão manso quanto Zeffirelli o retrata, afirmo que não sei - porque mal, mal li dois ou três livros sobre a vida do santo italiano. Contudo, quando estou em oração e penso naquele jovem corajoso que renunciou à riqueza e abraçou a Irmã Pobreza com tanto destemor, é o rosto do ator britânico Graham Faulkner que me vem à mente. Ele foi São Francisco.

O mesmo pode ser dito da lindíssima atriz Judi Bowker, que nos apresenta uma Santa Chiara de Assis igualmente meiga. Apaixonada por Jesus Cristo, ela não hesita em seguir os passos de Francisco e torna-se a primeira mulher do que seria conhecido como a Segunda Ordem Franciscana ou as Clarissas - nome que receberiam mais tarde, em homenagem à santa.

Plasticamente, Irmão Sol, Irmã Lua é de encher os olhos... E o coração.

Desde a cena em que São Francisco se equilibra em um telhado para pegar um passarinho e, depois, soltá-lo; passando pelas tomadas panorâmicas dos campos floridos, onde Zeffirelli nos mostra a ligação de amor do santo com toda a natureza, até a sala onde o Pobrezinho de Assis se reúne com o Papa Inocêncio III. Aqui, o diretor usa o zoom da câmera para ilustrar o choque deste contato entre a opulência ao redor do Sumo Pontífice e a miséria de Francisco - que estava descalço e com os pés sujos.

Mas, a pretensão deste texto é apenas transcrever a tradução daquela que considero a mais linda canção do filme, realizado em 1972.

Francisco viveu na Idade Média - período que foi do século V ao XV aproximadamente. Uma era longe de conhecer os meios de transporte e a tecnologia de que desfrutamos hoje e que tornam nosso dia a dia mais fácil, mas também (infelizmente) mais frenético. Nós não passamos pela vida, nós voamos por ela. E não é um voo tranquilo, no qual podemos apreciar as surpresas da paisagem. É um voo afoito, desesperado, onde o que importa é chegar logo, fazer logo, sentar logo, entregar logo, comer logo. Dormir logo.

Mesmo em plena Idade Média, como que prevendo os dias que viriam, Francisco, Clara e a população excluída, humilde, da cidade de Assis reúnem-se na Igreja de São Damião, que o santo reconstruiu, para cantar uma ode contra a pressa. No tempo em que o meio de transporte mais rápido era o lombo de um cavalo, a parte pobre de Assis vai à igrejinha para entoar, durante a Santa Missa, uma canção que pede CALMA. CAL-MA. C-A-L-M-A.

Para mim, esse é o auge do longa-metragem, a cena mais linda, mais tocante. Enquanto todos cantam, Clara deposita, no altar singelo, um cordeirinho - que mais tarde, bem mais tarde, já inteirada dos ensinamentos da Igreja Católica, identifiquei como o próprio Jesus Cristo, que São João Batista chamou de "o Cordeiro de Deus" (Jo 1, 36).

Convido você a apreciar com carinho a letra da canção tal como foi traduzida para o português nas cópias disponíveis de Irmão Sol, Irmã Lua:

Um dia você saberá
Viver humildemente
mais feliz você será
mesmo sem rendas

Pela vida
Sintam onde a deixaram
Que a calma virá
Ao coração puro

Dê cada dia
Com seu suor
Uma terra
Depois outra
[E você] chegará no alto

Viva puro e livre
Não tenha pressa
Com a fé e grande amor
Isso é o que conta

As alegrias simples
São as mais bonitas
São aquelas que no fim
São as maiores

Viva puro e livre
Não tenha pressa
Viva sempre com amor
Isso é o que conta

Se o objetivo de um filme é provocar a reação do espectador é impossível terminar de assistir à obra de Zeffirelli sem aquela vontade de simplificar a nossa vida e cuidar do que é essencial com o mesmo zelo, a mesma ternura, a mesma dedicação com que São Francisco reconstruiu a igrejinha de São Damião.

Tenha uma Ótima Vida! Passe (não voe) por ela.

~Ana Paula~A Católica
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