26 de julho de 2010

Mães que agem como Filhas

Magali, de blusa preta, recebe a irmã, Suzana,
que acabava de desembarcar no Aeroporto de Confins, na Grande BH,
vinda da África do Sul. Dois exemplos de Grandes Mães

Fotografia de Andréa Cristina
Eu ainda não me tornei "mãe". Sigo sendo apenas filha. Ou melhor: filha, irmã, neta, sobrinha, afilhada, prima, esposa... "Mãe", não.

E mesmo sem a perspectiva de ver a vida do ponto de vista de alguém que gerou um filho no ventre ou no coração, aprendi a distinguir como age uma verdadeira mãe: o milagre do casamento, do afastamento da casa dos meus pais, deu-me a distância justa e adequada para vislumbrar a minha e as outras mães.

Inesperada e rapidamente descobri que aquela mulher com quem eu tanto me desentendia, cujas ordens eu não compreendia (sobretudo na adolescência), sempre agiu como uma mãe deve agir.

Este texto não pretende ser um "elogio rasgado" - e suspeito - daquela que me trouxe ao mundo, que me deu à luz, como se diz. Quero apenas - e bem atrevidamente - chamar a atenção para o fato de que algumas mulheres não agem como mães. O que é o absurdo dos absurdos, porque uma "má mãe" vai ter uma influência terrível no caráter e no desenvolvimento do filho.

No que me consta, nem a Psicologia nem a Igreja divergem sobre a importância da figura materna na vida de alguém. Daí a urgência de nos educarmos para sermos "boas mães". Não sou expert no assunto - se não na prática, bem menos na teoria -, mas observando algumas mães, descobri que elas agem... Como filhas!

Essas mães são, sobretudo, as que não deixam os filhos partirem e alçarem voo. Não, porque os sufocam de mimos, mas justamente pelo contrário: elas é que querem todos os mimos. Só sabem pedir, demandar, exigir. Qualquer probleminha que têm, a mínima gripe ou uma alergia na pele, superdimencionam o imprevisto, fazendo com que o filho deixe o que estiver fazendo e pegue um ônibus, um táxi, um avião, a fim de ir até elas e "apagar o fogo".

Há filhos que mesmo casados, às vezes eles já têm seus próprios filhos, não conseguem relaxar, passear, ir ao cinema, viajar para outro estado ou país, porque estão superpreocupados com a mãe que faz o papel (lastimável) de "filha". Este é um modo cruel de manter um filho ligado a si: chantageando-o com um problema de saúde, com uma carência afetiva, com a falta de dinheiro.

Sim: noutro dia, eu tive a notícia de uma mãe de 4 filhos, que aos 40 anos de idade pretende parar de trabalhar, porque está "cansada" e os filhos, que estudam e trabalham, já ganham o suficiente para "sustentar a casa". É verdade. Não estou criando essa história. Imagine uma mãe solteira que decidiu parar de trabalhar para viver às custas dos filhos adolescentes que, por sua vez, têm que dividir o tempo entre a escola e o emprego. Uma mãe que age como "filha".

Há outros exemplos. Como a mãe que se divorciou e em vez de ser forte e enxugar as lágrimas dos filhos, eram eles que tinham de consolá-la, porque ela ficou tão arrasada, que não parava de chorar. Imaginem o fardo disto para duas crianças: reconfortar a mãe recém-separada dia após dia durante meses, anos. Eu estou maluca? Uma "boa mãe" não deveria levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima como recomenda a canção?

Existem também mães que, embora não sejam avós, já têm idade para tanto.

Contudo, mesmo com as muitas rugas e fios brancos na cabeça, elas falam alto, esperneiam, esconjuram... Parecem adolescentes rebeldes: cheias de caprichos e... Dramáticas. Se o filho divide um problema particular, em vez de tranquilizá-lo e dizer: "Tudo vai se resolver", como se espera de uma boa mãe, ela age como a mais inexperiente das criaturas e o apavora: exagera a situação e as possíveis consequências. Resultado: em vez de encorajado, o filho sai do encontro triste.

Um excelente filme norte-americano ilustra perfeitamente a "mãe com idade para ser avó que age como filha": Mamãe não quer que eu case, de 1991, com os ótimos atores John Candy (1950-1994) e Anthony Quinn (1915-2001). Já devo ter assistido umas três vezes - no tempo em que a Sessão da Tarde da Rede Globo de Televisão valia a pena. Veja uma sinopse do longa, tal como achei na Internet:

Tímido e bondoso policial de Chicago que, apesar de ter chegado à casa dos 40, ainda vive com a mãe e se apaixona pela filha de um agente funerário. Só que sua mãe dominadora não está disposta a se separar do filhinho e começa a incutir-lhe um complexo de culpa que gera confusões.

Também encontrei esta outra:

Dos mesmos criadores de Esqueceram de Mim, conta a história de um policial (Candy) que, para o desgosto de sua mãe dominadora, se apaixona pela filha de um agente funerário. A partir dessa situação, o filho passa a ter complexos de culpa por estar apaixonado e querer sair da casa da mãe. E a mãe, por sua vez, não perde a oportunidade de falar mal da namorada do filho.

Que pena que isso não é coisa de Hollywood! Que pena que esse tipo de mãe não é ficção científica nem animação da Disney! Ela existe e pode estar mais próxima do que a gente gostaria!...

Por fim, mas não menos importante, há as mães que não ocupam os filhos com melindres nem com muxoxos. Que ótimo, não? Só que elas não ocupam os filhos de jeito nenhum... Com nada. Nem com presença, nem com afeto. São as mães que simplesmente não ligam para os filhos. Deixam eles para lá: com os avós ou (se puder pagar uma) com a babá. Elas "fingem" que não deram à luz: não querem a responsabilidade que isso traz. E teimam em seguir com a mesma vida de antes.

Esse tipo de mãe paga o que tem que ser pago; compra o que tem que ser comprado. E só. Não brinca com os filhos, mal conversa com eles. Ela não tem tempo. Ou melhor: tem, mas não quer gastá-lo com os filhos. São mães que agem como filhas, irmãs, netas, sobrinhas, primas... Menos como "mãe" - apesar de já há algum tempo terem se tornado uma. São mães de título, não de fato. Um tipo de mãe pra posar em retrato de festa de aniversário ou de Natal. E nada mais.

Toda essa conversa me fez lembrar de Nossa Senhora. A "mãe das mães", que não ocupou Jesus Cristo com seus achaques nem dispensou a ele a sua indiferença.

Quando afirmou ao anjo Gabriel, no Dia da Anunciação: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1, 38), Maria assumiu a função de mãe integralmente, com suas dores e delícias. Desprendida, e apesar de já viúva de São José, consentiu que seu Filho a deixasse e peregrinasse pela Judeia, Galileia e Samaria, a fim de cumprir a Sua missão: anunciar o Reino de Deus e salvar a raça humana.

Já pensou se a Virgem Maria, na hora em que Jesus Cristo anunciasse a Sua partida de Nazaré, desse um chilique?

"Ah, não! Você não vai não. Você é o meu Filho único, seu pai morreu, e é justo eu ficar sozinha? Eu te alimentei, te eduquei, passei noites em claro cuidando de você... Tá vendo estas rugas aqui? São de tanto passar dia após dia satisfazendo as suas necessidades. Faça o favor de agora, na minha velhice, cuidar de mim. É o mínimo que um filho, um bom filho, deve fazer!"

Cruz Credo! Ainda bem que ela não fez isso e deixou-O partir e alçar o Seu voo. Entretanto, na hora mais dolorosa da vida de Jesus, Maria estava lá. Não ficou ausente. Maria de Nazaré não era mãe só de fotografia em dia de festa.

Imagem de Jesus com Santa Maria
e São João de pé: Internet
E não consta nos registros históricos que Nossa Senhora "deu trabalho" pra Cristo. Em vez de chamar a atenção para si, rasgando-se de dor, dando faniquitos de desespero ante a crueldade desumana feita com seu único Filho, ela ficou firme, de pé, aparentemente tranquila, porque seu papel como mãe naquela hora não era fazer o filho sofrer ainda mais ao vê-la chorar. Não. Como mãe, Nossa Senhora sabia que ali lhe cabia apenas mostrar para Jesus: "Eu estou aqui, meu Filho. Força!".

A prova da serenidade de Maria está no Evangelho de São João. Ela estava tão "senhora de si", que Cristo se sentiu à vontade para falar-lhe: "Mulher, eis aí teu filho" (Jo 19,26), referindo-se ao apóstolo e evangelista São João que, conforme os ensinamentos da Igreja Católica, representava naquele momento todos nós, a humanidade inteira. E também: "Eis aí tua mãe" (Jo 19,27). Ali, Nossa Senhora tornava-se Nossa Mãe também.

Para concluir, dizem que "pau que nasce torto não se endireita". O ditado é grosseiro, mas me faz reconhecer que as mães que agem como filhas têm enorme dificuldade de mudarem o seu jeito de ser. Resta o alerta para os seus filhos, a fim de que, com sabedoria, saibam minimizar o estrago que esse tipo de mãe causa. Resta o alerta, SOBRETUDO, para que eles não repitam o erro com seus próprios filhos.

Longe da casa dos meus pais, vejo muito bem (apesar da minha miopia...) que minha mãe, Magali, sempre agiu e ainda age como uma "boa mãe": que estimula, que acalma, que reza e roga a Deus... Que dá. Sim: que dá. A mãe que age como filha só sabe PEDIR ou não está nem aí. A mãe que todas as mães deveriam ser é aquela que sabe que ser mãe é DOAR-SE. Obrigada, Mamãe Gali!

~Ana Paula~A Católica
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