25 de julho de 2010

Falando em Olhos...

Não é possível falar de "olhos" e não se lembrar de Santa Luzia (ou Santa Lúcia).

Conforme o monge beneditino Anselm Grün, em seu formidável livro 50 Santos (2005, Edições Loyola), Lúcia significa "a luminosa, brilhante, iluminadora". Ela sofreu o martírio em Siracusa (Sicília, Itália), durante a perseguição aos cristãos - a mais dura delas - promovida pelo imperador romano Diocleciano, que governou de 284 d.C. a 305 d.C.

Luzia pertencia a uma família nobre e foi prometida em matrimônio. Contudo, ela se recusava a casar, porque fez o voto de conservar-se virgem por amor a Jesus Cristo durante toda a sua vida.

Ficando sua mãe, Eutíoque, gravemente doente, o casamento foi adiado. A jovem convenceu-a a ir à tumba de Santa Águeda (ou Ágata) - outra mártir, que tinha vivido um século antes - para que obtivesse o milagre da cura. Que aconteceu! Com isso, Eutíoque consentiu que a filha não só se dedicasse à vida religiosa como distribuísse o rico dote, que seria do casamento, aos pobres.

O noivo, revoltado com a atitude de sua prometida, denunciou-a como cristã.

O Padre Luiz Cechinato explica em Os 20 séculos de caminhada da Igreja (Vozes, 2006) que a Igreja foi perseguida durante dois séculos e meio: de Nero, que governou do ano 54 d.C a 68 d.C., até a conversão de Constantino, em 312 d.C. De acordo com o padre, alguns imperadores seguiam a seguinte lei: "Não se buscam os cristãos, mas quem for denunciado deve abandonar a fé, sob pena de morte".

Luzia, que permaneceu firme na obediência a Deus, foi condenada a viver em um prostíbulo, a fim de que sua pureza fosse profanada. Contudo, não puderam carregar o seu corpo, que ficou extrema e inesperadamente pesado. Então, derramaram-lhe azeite nas roupas e nos cabelos e expuseram-na ao fogo. No entanto, as chamas nada fizeram contra si. Por fim, decapitaram-na. E mesmo com a garganta cortada, segundo Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini (Um Santo para Cada Dia, 1996, Paulus), a jovem mártir "continuou a exortar os fiéis a antepor os deveres para com Deus àqueles para com as criaturas".

The Martyrdom of St Lucy (1505-1510), Master of the Figdor

Por que Santa Luzia é representada em imagens segurando um prato com dois olhos?

Há pelo menos duas versões para isso:

1ª) conta que "enquanto estava presa, lhe foram arrancados os olhos, mas no dia seguinte a encontraram com seus olhos novamente perfeitos" (Orações e Santos Populares, Salles Editora, 2007);

2ª) remonta à Idade Média - período entre os séc. V e XV aproximadamente - e elucida que "o pretendente de Santa Luzia havia ficado fascinado pela beleza e brilho de seus olhos. Então ela os arrancou e os ofertou a ele. Entretanto, para espanto de todos, seus olhos se restabeleceram milagrosamente, ainda mais formosos que antes" (Santa Luzia - Novena e biografia, 2007, Paulinas).

Santa Luzia, ou Lúcia, é invocada contra a cegueira do corpo e da alma, "a qual nos impede de 'enxergar' que Deus é nossa luz e a vida só vale a pena quando se torna um ato de amor total a Ele e ao próximo" (Santa Luzia - Novena e biografia).

Conforme Grün, a luz que ilumina Lúcia é "o Espírito Santo. Ele a ilumina de dentro para fora e lhe dá tal força que ninguém pode movê-la do lugar". O monge continua:

Quando somos iluminados pelo Espírito Santo, emitimos uma luz ao nosso redor. Não vamos turvar e escurecer ainda mais as emoções turvas que nos rodeiam, mas contribuir para que surja a claridade.

Muitas vezes nos envolvemos e nos enredamos de tal modo em conversas que a visão clara dos problemas verdadeiros se obscurece. Aqui precisamos de Lúcia, como a iluminadora que clareia o escuro e turvo.

Das orações que conheço, que pedem a intercessão da santa italiana, esta é a de que mais gosto. Meu marido, Farney, e eu a recitamos sempre que podemos:

Santa Luzia,
que consagrastes inteiramente vosso corpo e vossa alma a Deus
e resististes firmemente à ordem de adorar deuses falsos,
concedei-me a mesma firmeza em todos os meus propósitos.

Peço-vos proteger-me de todos os males de meus olhos e prometo
ver sempre todas as pessoas como Deus as vê
:
com olhos cheios de amor, sua imagem e semelhança,
com misericórdia, enfim,
como destinados a contemplar um dia
a luz eterna na felicidade do Paraíso. Amém.


Santa Luzia, Rogai por Nós!

(A oração consta no ótimo Orações Particulares, Editora São Cristóvão, 1999.)


Imagem no início do Post: Saint Lucy - 16th century - Domenico Beccafumi

~Ana Paula~A Católica
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